lunes, 7 de febrero de 2011

tres poemas de la poetisa portuguesa Margarida Vale de Gato

CHRISTINA ROSSETTI

meigos grandes nada cépticos secos
os olhos de corça esgarçada à roda
lança

longos louros soltos em vagas
breves nunca crispadas cabelos
esparge

Christina mansa mente amante
pré-rafaelita ao leito recolhe se cobre
semelha

receio tolhe branca túnica
tersa forma de seios ao canto
paira

aflora sobre auréola a sombra
de Gabriel o irmão. também faz versos
concita
com-paixão.

MULHER AO MAR

MAYDAY lanço, porque a guerra dura
e está vazio o vaso em que parti
e cede ao fundo onde a vaga fura,
suga a fissura, uma falta – não
um tarro de cortiça que vogasse;
especifico: é terracota e fractura,
e eu sou esparsa, e a liquidez maciça.
Tarde, sei, será, se vier socorro:
se transluz pouco ao escuro este sinal,
e a água não prevê qualquer escritura
se jazo aqui: rasura apenas, branda
a costura, fará a onda em ponto
lento um manto sobre o afogamento.


ÉMULOS

Foi como amor aquilo que fizemos
ou tacto tácito – os dois carentes
e sem manhã sujeitos ao presente;
foi logro aceite quando nos fodemos.

Foi circo ou cerco, gesto ou estilo
o acto de abraçarmos? Foi candura
o termos juntos sexo com ternura
num clima de aparato e de sigilo.

Se virmos bem ninguém foi iludido
de que era a coisa em si – só o placebo
em certo excesso que acelera a líbido.

E eu, palavrosa, injusta desconcebo
o zelo de que nada fosse dito
e quanto quis tocar em estado líquido.